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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

"«Várzea Formosa - A cidade sonhada»"

João-Afonso Machado, 30.07.15

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Hoje falo de um sonho sonhado de dia e à noite, sempre em consciência e muita vontade. Um sonho transformado em percurso de vida e contado agora em livro intitulado Várzea Formosa – A cidade sonhada. O autor é João Cidade.

O livro é de uma leitura suficientemente rápida para formar uma ideia longa, consistente, tão ampla que nela cabem os passos todos da nossa vida, porque é inevitável o confronto, a comparação. Muito embora os destinatários iniciais sejam as crianças. E talvez o Várzea Formosa seja também um bom tema de conversa com elas. A gente da minha geração já se inicia regularmente no estatuto de avós. Passaram muitas décadas e o mundo cavalgou à rédea solta. Tudo é diferente agora, inimaginavelmente diferente para os mais novos.

Mas foi o sonho que baptizou João Cidade. Quero dizer, o meu bom Amigo Alcino Monteiro, nos idos recuados em que viveu a sua infância numa aldeia distante, lá para Resende. E ansiava por outros dias de mais fazer e conhecer. Em que construiria, muito desperto, o seu sonho, juntando os pauzinhos todos para o levar a bom termo, ele próprio, em vez de esperar que acontecesse mais coisa, menos coisa.

Era o sonho de vir, afinal, à cidade. Destemidamente, depois dos pedregulhos da caminhada a pé e da velha camioneta de carreira, do comboio – de tudo o que ainda nem sequer experimentara. Até esse dia em que o Destino o trouxe a V. N. de Famalicão.

Intervalo. Os leitores infantis da Várzea Formosa têm agora a oportunidade de tentar entender o que era viver sem electricidade, sem televisão, sem computador, poupados ao frio dos invernos apenas pelo calor da lareira. E sem brinquedos e sem o automóvel do pai para os levar ao hipermercado – que também não havia – ou a um singelo passeio. Seriam eles capazes de vencer este pesadelo e erigir o sonho de um quotidiano mais confortável?

 Prosseguindo. João Cidade deixou a sua aldeia no modo aliviado de quem acorda para uma realidade nova posta na sua frente. Ficavam lá os seus e as suas origens. Aceitou a vida que viveu enquanto se batia – pacificamente – pela vida nova que ia viver. É já o Alcino Monteiro famalicense adoptivo, um coração para sempre dividido entre S. Cipriano, e os seus vagares agrícolas, e Famalicão, o movimento todo de uma vila que já então se preparava para ser cidade.

Aqui chegou há trinta anos, decerto de comboio e na decidida expressão – apanhada por António Caseiro Cabral, o ilustrador do livro, também de parabéns, - de um Clark Gable e o seu bigodinho. Alcino Monteiro vinha para vencer. Assistiu ao crescimento da urbe e participou nele. Fez muitas amizades. Tornou-se, por assim dizer, o embaixador de Resende em Famalicão. Porque trouxe essas terras ao conhecimento dos de cá e levou muito daqui para lá.

Deixo-lhe, pois, as minhas sinceras felicitações. Ao Alcino Monteiro e ao João Cidade que é aquela em que o seu contributo continua a ser prestado. E a recomendação final para que não apenas os mais novos leiam o Várzea Formosa: às vezes esquecemo-nos como foi, o que desajuda a aceitar o que é.

 

(Da rúbrica De Torna Viagem, in Cidade Hoje de 30.JUL.2015).

 

 

 

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