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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

"Uma Senhora que deve e vai ser homenageada"

João-Afonso Machado, 06.09.18

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Famalicão prepara-se. Vem aí um dia de festa e agradecimento. Dedicado a D. Miquelina Peixoto, uma enfermeira nossa. Cá da terra. Vamos a um breve interlúdio:

Muitos se lembrarão dos partos em casa. Do nascimento dos filhos, dos irmãos ou primos, ali na cama de todos os dias, envolta em todos os improvisos, resultando, tantas vezes, em lastimável malogro. Eram os tempos e a falta de ciência. Depois chegou o velho hospital da Misericórdia (o edifício da actual Lusíada) e finalmente, o do presente, creio apelidado “do Médio Ave”. Este um processo cujas primeiras páginas já somam gerações e gerações de famalicenses. Milhares deles.

Resumidamente, o hospital que nos serve remonta aos Anos 60 do século passado. O anterior não primava por instalações especialmente convidativas. E durante quatro décadas, neste turbilhão de carências e batalhas, serenamente dava o que podia, com os meios de que dispunha, a enfermeira Senhora D. Miquelina Peixoto.

Não nasci cá, não foi ela que me puxou para o mundo. Já com os meus irmãos mais novos, é bem possível que sim. Mas não ficaram registos desses natais. Como quer que seja, o serviço à comunidade da Senhora D. Miquelina é uma realidade de uma vida inteira. Aliás, segundo as suas próprias estimativas, terá auxiliado a cerca de 300 partos anuais, ao longo das ditas quatro décadas!

Assim se justificam alguns traços biográficos mais, como tudo foi acontecendo:

Nasceu em S. Simão de Novais há 86 anos e fez os seus estudos de enfermagem nas Irmãs Franciscanas Hospitalares da Imaculada Conceição. Mais tarde, na portuense Maternidade Júlio Dinis, obteria a especialidade de enfermeira-parteira-puericultura. E assim regressou a Famalicão, a exercer o seu múnus. Se as pessoas não se valiam (por falta de hábito…) do hospital, ia a Senhora D. Miquelina a casa delas assistir aos partos. Por vezes, em localidades vizinhas, já fora do concelho. Foi a nossa primeira enfermeira-obstectra.

Todo este historial lembrou a um grupo de famalicenses a justiça da imprescindível homenagem a esta benemérita. Quanto sei, precisamente no dia do seu aniversário – 28 de Setembro – com uma missa de acção de graças na Matriz nova, e a intervenção da cantora lírica Maria João Matos a interpretar a Ave Maria de Schubert. Depois, à noite, ocorrerá um jantar no restaurante Dux, da Universidade Lusíada.

Tenciono estar presente. Porque, mesmo não conhecendo a Senhora Emfermeira, mesmo não havendo beneficiado do seu saber nesse longínquo (e glorioso) Junho de 1960, o facto é que se trata de um agradecimento colectivo a quem  a todos dedicada ao longo da sua existência. Não será, talvez, despiciendo invocar os tempos mais recuados de uma Famalicão menor em tamanho, mas maior em solidariedade; onde todos se conheciam e a vida decorria como numa grande família, a da “Vila”. Que tanto deve à Senhora D. Miquelina Peixoto!

Acabo. Não sem que antes divulgue a caminhada da dia seguinte (29 de Setembro), em prol dos doentes de Alzheimer, iniciativa da respectiva Associação. Aqui podemos ser claros. O passeio derivará entre Sinçães e a Devesa. Do que se trata? Dos nossos Pais, de nós próprios, dos nossos descendentes. De uma doença tremenda. Do presente e do futuro, meus caros amigos!

 

(Da rúbrica De Torna-Viagem, in Cidade Hoje de 06.SET.2018)