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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Reformada

João-Afonso Machado, 21.02.20

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São os bancos (de assentar) a essência dos jardins públicos. Postos no final no meu caminho de trabalho para sustentar a vida. Olha para mim, chapéu à banda, farta de nada fazer, imensa é a colecção de coisinhas a mastigar os minutos. Daqui, o caminho diz cama, por acaso hei a TV Cabo, um comando que comanda as regras tristes do meu entristecimento, até ao sono de salvação.

Malditos os dias findos da minha vida na fábrica! A deixarem-me a sós com a habituação ao nada ou quase. Indemnizada por mim mesma, velha sem homem mas a ombrear com angústias.

Os meus sonhos são exactamente o impossível. Depois de tantos anos... (não quero, mas é), já depois des tantas esperanças derruídas à bomba, é o parque, é o oxigénio, que não me lança ponte abaixo.

Vale-me a ave canora. O imprevisivel. O aiioooó! Uma flausia ora agora, ora depois - e a gente espera essa, depois longas são as tardes..., a acordar-nos para um breve momento de  - Sim, não morri!

Há quem diga, era melhor a "solitária". Contam-me, tratava-se de uma prisão. Não sei. Sei somente, um pavão, de lenço tricular no bolso do casaco e muitas cores na gravata, um galã a assobiar assim, foi a minha perdição. 

Levou-me a inocência, escravizou-me à vida nos jardins. Aiioooó! Ora aqui, ora acolá, sem amanhãs, anseio o fim seja um sustenido galopante.

 

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