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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Oscar Wilde enganou-nos

João-Afonso Machado, 22.06.18

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É verdade, ele era o Princípe Feliz. Tinha sido... Não há também que duvidar da sua bondade, nem da riqueza da sua estátua. Mas Oscar Wilde nada percebia de ornitologia. Na minha ideia, baralhou-se com Dickens, muito em busca do drama existencialista e de um final infeliz: acabou matando, sem utilidade, o que nunca é alvo dos caçadores - as andorinhas. Nem dos caçadores, nem mesmo do acaso.

Confundiu-as, decerto, com as gralhas, os estorninhos, as pêgas da sua terra (outras aves inócuas para o tiro). Aves dessa terra que os britânicos gostam cinzenta, para nos verões melhor gozarem as do sul.

A andorinha de Wilde - para bem se perceber - é uma historieta. Um pretexto migratório oferecido à generosidade do Princípe, aliás, um poeta inominado. As andorinhas chegam cá mais depressa do que os apressados ingleses.

Por isso a andorinha do conto não morreu. Voltou ao ninho. Proliferou. Não é passarinho que se toque, nem liberdade que se macule.

São - as andorinhas e os seu ninhos nas beiradas - o máximo cuidado que o meu Avô tinha quando se caiava a fachada da casa. Ou quando os genros se entusiasmavam com a espingarda. O Avô queria-as de volta, protestando zangado contra o pseudo-romantismo de Oscar Wilde e contra os genros também.