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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

O nosso drama

João-Afonso Machado, 22.01.16

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João do Canto e Castro Ribeiro Antunes já era almirante e continuou a ser monárquico quando em 1910 a República se instalou em Portugal. Ele próprio o diz, jamais renegando as suas convicções, não abandonou a Armada por necessidades de uma família, a sua, a sustentar. Mas manteve-se sempre a bordo, ao largo, carregado de condecorações, distante da sinistralidade política.

Com o País destruido pelos republicanos - democráticos, unionistas, evolucionistas  - é natural o almirante Canto e Castro se tenha aproximado do redentor Sidónio. De tal modo que o Ministério de Tamagnini Barbosa e toda a guarnição militar de Lisboa (!!!) viram nele o seu sucessor logo após o crime da estação do Rossio.

Canto e Castro recusou, invocando o seu monarquismo. O argumento da salvação da Pátria, do perigo eminente de uma guerra civil, demoveu-o. O Parlamento reuniu para eleger o novo Chefe de Estado, os deputados monárquicos abandonaram a sala em protesto, não há número bastante para o acto, os deputados monárquicos regressam, Aires de Ornelas, o seu líder, explica que por respeito ao interesse nacional, e o almirante é o escolhido, com 137 votos.

(Resultados de outros presidentes eleitos pelo mesmo método: Manuel de Arriaga - 121 votos; Teófilo Braga - 98; Bernardino Machado - 134; António José de Almeida - 123).

Ocorrem de seguida a sublevação monárquica de Monsanto e a restauração no Norte. Precedidas e sucedidas de sangrentos tumultos e revoltas na Capital. Canto e Castro, gravemente doente, mantém-se fiel ao juramento prestado quando assumiu a Presidência. Nunca por isso foi criticado por alguém.

Por fim, em mensagem ao Congresso de Junho de 1919, resigna ao cargo. Faltavam ainda uns meses para o termo do seu mandato e a sequente eleição.

Uma moção favorável a sua continuação como Chefe de Estado é aprovada por unanimidade dos deputados. E uma vez mais a preocupação com os tortuosos caminhos que Portugal percorria falou mais alto. Canto e Castro, ansioso por regressar a casa e à família, aceitou prosseguir as suas funções.

Assim grangeou um imenso respeito nacional hoje estranhamente esquecido. Talvez porque tenha sido o derradeiro episódio - e filho único em República - em que a chefia de Estado se confundiu com a chefia da Nação - realidade que esta malandragem de agora nem sabe o que é.

 

 

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