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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

O avô

João-Afonso Machado, 08.01.16

À SOMBRA.jpg

Nos últimos tempos, a barba muito embranquecida, puxava-o a artrose para a sombra em que descansava e via os outros brincar. Mas o olhar era o mesmo, entre o atento e o amigo, o meigo e o façanhudo. E as orelhas também, à espera das mãos a consolarem-nas, a falar horas a fio com ele. Porque dominava perfeitamente o português e sabia da vida o que jamais se poderia contar a alguém. Gostava de dormir no tapete ao lado da cama. É, o seu olhar, além de atento, garantia ainda toda a confidência.

Por isso aqueles dizeres tão em uso essas jazidas adiante - o tempo passa mas a tua memória permanece - carregados de verdade, os cães merecem e têm uma eternidade muito sua, isenta de maldade, vazia de traição. O velhinho está lá, sob as ramagens da ameixoeira.

Agora é a vez do neto. Se ele sair ao avô, há outro velhinho feliz neste mundo.