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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Imposições da minha amiga

João-Afonso Machado, 18.04.20

GARÇA E PATO.JPG

Há dias em que a coisa rende e a gente volta para casa com o cacifo e a alma cheios. Uma garça branca e um pato real vivinhos, para despejar na mesa da sala e gastar neles os olhos e as ideias. E se os cozinhasse numa fábula? A garça muito condimentada de realeza e castidade, o pato mais com as cores festivas de um cortesão. Depois fervilharia o diálogo. Possivelmente sobre os estragos causados pelo vírus lagostim... Ou então acerca da carestia dos víveres, quando não, um certo abuso territorial - Vai-te embora! - exclamaria o pato, - Isto é do meu pasto. - E a garça replicaria - Silêncio sostra! Aí sentado, à espera de bicho que passe no nariz do teu bico!...

Mais formulações seriam possíveis: como a do pato encantado, a namorá-la, a garça cocotte a chamar-lhe "baixinho", e que o seu pai nunca consentiria, anatídeo vulgar, havia de troçar e fechar-lhe a porta...

Tudo, disse, se a caneta me levasse para os caminhos de La Fontaine. Mas não. Ela (a caneta), muito sóbria segue somente os ditames do olhar, o vero conselheiro das imagens incomuns. Por isso me ordena, sem pena nem agravo: cala-te!...

... - E vai buscar mais...

 

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