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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Formigueiros de letras

João-Afonso Machado, 20.04.18

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Em passinhos curtos, as palavras buscam no chão o seu sentido. Dispersas por todas as letras do abecedário. É um formigueiro e, na toca, talvez tenha permanecido apenas o "a", que já de si é amor, ambição, amizade, alcance, atenção. Foram dele as ordens - ide! Vai convosco a Cross de tinta permanente (aquela que se engasga sempre com qualquer partícula de pó, e borrata um pouco, às vezes)

A história é um livro todo. Apreciei o episódio do "p" a picar a pedra, a picar, a picar, tanta persistência, depois lá no fundo, como um "b" de buraco (bruscamente), as botas a barrarem-lhe o beco de que saiu a quatro, houve quem risse - quê!quê!quê! -  quimeras, quem diria, o "p" torcido em "q".

Um dia e tal! O "u" chorou ao sentir-se-se o último não fora o "v" ver-se grego, o "x" não resistir a um desafio de xadrez e o "z" se zangar e ziguezaguear como um zangão de flor em flor. Completamente zuca, para desespero da Cross já zonza.

Ainda pouco à vontade, muito amparados no itálico, o "k", o "y" e o "w". Mas a sua hora plena chegara - you know this wonderfull world...

Enquanto isso, o "c" cofiava a cedilha e prosseguia a sua caçada, caraças, cautelosamente...

É assim, é. Se as letras não se conjugam e as palavras não se abraçam, a vida são rectas, meras distâncias económicas. O reino do @. Ou o pior que poderíamos pensar, querer e questionar, burros e básicos.

(Obrigado pela colaboração, "p", "q" e "b" e demais cambada alfabética).