Dos nautas

No instante mais pacífico da praia, quando as ondas prometem repetir sempre o que não dizem mas marulham, surge o gigante, Em silêncio, a tentar passar despercebido na ondulação. Espíritos memoriais evocam bacalhoeiros. Há-os por ali, mas não é o caso, nem o tempo, de tais epopeias. Simplesmente, um portento qualquer já vai ao largo a distribuir carga no mundo. (Em fato-de-banho, duas pernas imaginam o percurso do mastodonte, saído quase dos seus pés. É inútil para uma visão tão míope dos oceanos.)
O Homem quer o céu desconhecendo os mares. Esta é outra cidade flutuante que se faz ao planeta com a experiência de que há de retornar. Talvez sob os cantos terrenos entoados a tantas Nossas Senhoras.
As águas são profundas. Lá para alé, insondáveis. Partir deve doer sempre. A única novidade é que esta prática não tem novidade alguma. Daqui do areal, por isso, ausência total de adeuses.
(JAM in Canaveral Aveiro)