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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Crónica de um massacre

João-Afonso Machado, 30.05.17

AS CEREJAS.JPG

Naquele ponto exacto do arrabalde de Resende atracaram dois autocarros, como se a coisa houvesse sido combinada, tão célere e mortífera foi a descida das hordas transportadas.

O SARDÃO.JPG

O sol ia baixo. o lendário sardão, ainda entorpecido na humidade, muito a custo logrou esconder-se numa lura entre as pedras. Restava-lhe aguardar a malta ululante enfim se saciasse e voltasse para as suas naves. Deixando atrás de si... já não talvez cerejas, mas uma ou outra cerejeira.

O ASSALTO.JPG

E, cerejal adentro, o desditoso proprietário suplicava não lhe esgaçassem os ramos das árvores porque sem eles a fruta não tem onde nascer. Algo que faz imenso sentido mas parecia apagar os lumes saqueadores da aguerrida agremiação. Foi necessário negociar o tributo da paz, e a cereja já encaixotada veio a preços de dumping.

Tudo isto ocorreu há muitos séculos, mas ainda hoje os nativos de Resende recordam a famigerada incursão, a razia praticada pelos dois autocarros do Médio Ave na estrada para Lamego. 

 

 

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