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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

"«Cavalos de corrida» (e não apenas)"

João-Afonso Machado, 23.02.17

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É espantosa a quantidade de coisas que se podem fazer com um pedaço de terreno. Um prédio! – dirão os mais imediatistas; - Um gimnodesportivo, um campo de futebol – ripostarão os mais desportistas. Tudo isso e muito mais, desde as grandes superfícies às pistas de cross. O caro Amigo Sr. David Ferreira escolheu uma escola equestre. Em Calendário, a chegar ao Alto da Vitória, à esquerda para quem segue na EN14 em direcção ao Porto.

Há de haver em tudo isto um percurso ainda longe de estar findo. Mas, vejamos: uma escola equestre necessita – além do óbvio referido espaço – de cavalos. Tantos mais cavalos quanto maior o número de aprendizes, garantindo sempre a estes a possibilidade de trazer os próprios e (dado o incómodo manifesto de os transportar debaixo do braço) proporcionando-lhes meios de os deixar lá, até à aula seguinte, e à outra, e à outra…

Depois o mestre equitador. Nada que não se arranje por aí, combinando horários compatíveis até com outras escolas onde prestem já serviços.

Os alunos… Os primeiros, gostando, se encarregarão de trazer as vagas seguintes. E as instalações, o picadeiro, a cavalariça, os seus anexos, tudo crescerá à medida da quantidade dos aderentes e da qualidade geral do empreendimento.

O Centro Equestre e Turístico do Vale do Ave, do Amigo David Ferreira, no exacto momento desta história, dispõe de nove cavalos, dois picadeiros descobertos e um em “cobrição”. Os instrutores também são dois, e os alunos quinze, todos estudantes. Aos mais veteranos vão sendo progressivamente atribuídas novas responsabilidades no maneio da escola. Tenha-se presente: da chamada “baixa escola”, isto é, daquele ensino que nos ajuda a saber manter em cima da sela e a largar uns galopes. O fundamental na vida.

A rapaziada (não é a primeira vez que reparo nisso) assume as cores do clube. Fá-las suas. Além do montar, há o tratamento e a lide dos equídeos e não há como não se afeiçoar a eles. Acrescentem-lhes (aos cavalos) os póneis, os burros, os muitos cães, os ovinos, a capoeira e as rolas e caturras. E a suprema riqueza que é o glorioso ideal de termos algo à nossa frente para construir.

Por isso a azáfama do Centro. Está já no seu horizonte, cada vez mais cá, um novo lago, outras instalações a substituir os velhos barracões, a velocidade dos sonhos e dos planos a par com a consumação das realizações. Acima de tudo, visitando incógnito o Centro Equestre do Sr. David Ferreira, pude isentamente verificar a harmonia do “corpo discente” e as suas expectativas quanto a um futuro mais confortável, materialmente falando.

Tudo isto me põe a pensar sobre as virtualidades de um concelho jovem e populoso como o famalicense. Já montei muito a cavalo. Os anos, a idade, são tendencialmente preguiçosos e ferrugentos… Mas gosto de animais, mesmo dos que não são os meus cães. E há-os com fartura ali no Alto da Vitória, ainda lá deve estar o porco preto que apanhei à mão, numa das últimas Feiras de S. Miguel e, combinei com o Amigo David Ferreira, serviria de repasto a ambos os dois. Com um copo erguido (e bebido) à saúde d’ El-Rei. Até por isso, tenciono continuar a visitar o seu Centro, observando para aprender até onde pode chegar o engenho da vontade.

 

(Da rúbrica De Torna Viagem, in Cidade Hoje de 23.FEV.2017)