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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Carrapatelo

João-Afonso Machado, 22.02.15

CANTO DAS BOGAS.JPG

 O Tempo revolve as águas, traz-nos imagens, momentos redivivos. Gente, magotes de gente, ninguém diga o mundo não comporta toda a gente. E já não importa se foi em Maio, como por acaso foi, a pescaria voltou à tona nesse inesquecível cantinho junto ao paredão do Carrapatelo. Na passagem do autocarro a caminho de Montemuro.

Ainda está por descobrir porque a chuva aguça tanto o apetite das bogas. Três canas de pesca sob baldes de água despejados da negrura do céu e uma trovoada insana. E não sei quantos sacos carregados de bogas, o Pai Marques exultante, fora dele o convite para a pescaria, mal iria se não nos saciássemos, elas pareciam tolas, a barca mal se tinha no vaivém do põe-isco, descrava-peixe, a barca onde nos pendurámos para cair mais de perto em cima do cardume. Como se chamaria o outro parceiro? Quantas vezes ensarilhamos linhas naquele afã?

Reparo agora, são estas pequenas coisas que o lodo do Tempo já prende no fundo da memória. Por isso a caneta e o papel. Certo é, o dia das bogas no Carrapatelo teve um vencedor, o que mais pescou - o Pai Marques, pois claro.

O Pai Marques que Deus tem.