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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Auto-avaliação judicial

João-Afonso Machado, 04.02.15

Terá passado despercebido a muitos? Provavelmente, sendo embora uma das mais expressivas manifestações da extraordinária realidade da sempre jovem democracia portuguesa. Na qual os magistrados se avaliam e comentam em público. Durma por isso mais descansado o preso nº 44 da cadeia de Évora.

O recurso que interpôs está em boas mãos. Afiança-o o desembargador Duro Mateus Cardoso quando afirma, sobre a pessoa do seu colega relator, Agostinho Torres, achar que «o sorteio calhou bem». Tudo seguido de uma declaração de interesses visto ambos integrarem a mesma lista para as eleições da Associação Sindical dos Juízes.

Transparência e «ética republicana», chama-se a isto.

Mais achacado de pundonores, um senhor conselheiro do STJ que pediu o anonimato acrescentou ser o referido magistrado da instância inferior «extremamente metódico e organizado», «com uma carreira elevada, sem altos e baixos».

Em nome da justiça, ainda bem que assim é. O sorteio podia calhar mal. Podia vir de lá um qualquer magistrado desorganizado e sem método, uma carreira sobre o rasteiro e sinuosa. Porque, ficámos a saber, o Poder Judicial na República portuguesa é soberano mas reconhece poder julgar mal.