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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

"A monarquia de Espanha"

João-Afonso Machado, 22.06.14

A crónica de Vasco Pulido Valente , hoje no Público, chama-se «A monarquia de Espanha» e será uma grande perda nacional os portugueses todos não a lerem. Por isso a reproduzo generosamente aqui. Começa assim: « Apesar da comitiva de segurança, não dei por que os reis de Espanha estivessem no hotel. Um Secretário de Estado português teria sido mais conspícuo. (...) vi a rainha na varanda comum, o tomar um chá e a discutir com um secretário com muitos papeis não sei que problema. Na mesa do lado, a ler um livro, nunca me distrairam ou incomodaram. Aquela monarquia despretensiosa e bem-educada não me pareceu um perigo para ninguém».

Evidentemente, não se trata de uma profissão de fé realista de VPV, que nunca a fez. Apenas a constatação de coisas simples, a comparação entre o «símbolo com algumas funções de representação», que é a Família Real espanhola e os bandos de patos bravos por aqui pululando. Não esses caçáveis nas lagoas, mas os outros que por interesse e dinheiro são capazes de destruir essas mesmas lagoas...

E VPV prossegue: «nas cerimónias de sucessão, uns vagos milhares de pessoas gritaram "Espana manhana será republicana", provavelmente inconciliáveis da guerra civil (1936-1939) ou antifranquistas que guardam uma velha vontade de revanche. Esperemos que nunca aí se chegue por duas razões. Primeira, porque o rei é melhor garantia da unidade do país. E, segunda, porque a república tarde ou cedo criaria um tumulto em Espanha e na Europa. Um presidente sairia por força de uma das nacionalidades de Espanha que se autodenominam "históricas" (Castela, Catalunha, o País Basco e a Galiza), sendo suspeito para os grupos que ficassem de fora: uma receita infalível para a desordem e o conflito». A crónica remata com uma alusão à Escócia que «pelo menos, quer ficar com a rainha e, de caminho, com a libra».

Alguém ao meu lado, quando lia e comentava esta crónica de VPV, dizia referindo-se ao caso português não podermos andar para trás. Pois não, devemos caminhar sempre para o Futuro, decerto aprendendo com as virtudes e erros do Passado. O problema reside, precisamente, em o País não se mexer, sequer olhar para a frente. E quando assim é, manifestamente está a atrasar-se, a afastar-se do mundo global. E isso é andar para trás, por outras palavras.