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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

A fleumática fraqueza dos nenúfares

João-Afonso Machado, 16.06.19

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Uma manhã calada. De início, excessivamente vazia, sem rumos diante si. Depois... calada, talvez, mas de olhos no sol, já alto, e um pé aqui, outro ali. Afinal, gente com vida. Havia muitos cães, a manhã toda foi deles.

(Percebe-se o regresso à ferrugenta amálgama de um berço cada vez mais imaginário. Ideias perdidas no Tempo, a memória já só uma estrela cadente em noites desanuviadas do espírito.)

Miudezas das horas. Estão no ar, nas cores, nos interstícios das pedras. Na água, flutuando como os nenúfares, rente à cavalgada dos cães. Entre a conversa deles, as suas gargalhadas e uma insaciável sede canina, - um pé estouvado, um flor que se afoga. Tal a sustentabilidade dos nenúfares, aliás de apreciável serenidade, como a que nos falta todos os dias.

Mas não, afora o risco, não há ruídos, nem projectos, nem relógios a tolher-lhes o berço. Frágil mas não imaginário. E a manhã prosseguiu pelas centelhas da memória já perdida dos nenúfares.

 

 

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