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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Por aí...

João-Afonso Machado, 01.03.20

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Acordou estremunhada e era o primeiro dia de Março. De olhos entreabertos, pasmacentos, ainda não conseguira reunir as ideias, sequer perceber de onde chegara do seu sono. E porquê ali, dentro de água?

De súbito recordou o principal: urgia pôr ovos, dar ao mundo filhos e netos e talvez bisnetos. Ou essas gerações todas numa só, tantos meses acamada turvavam-lhe a memória, sabia-se apenas partidária do incesto.

 

Por aí...

João-Afonso Machado, 11.02.20

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A praia é de todas as crianças do mundo que, aliás, são só duas - V e B, ou B e V, eventualmente, mais a norte. Era delas essa miragem e todos os anos corridos sobre dias que não mais me pertencerão. Haja a sapiência de entender, e escrever em azul leve, a brincadeira imensa de uma vida sepultada num sorriso eterno de saudade.

 

Por aí...

João-Afonso Machado, 26.12.19

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Nesta altura, contaram-me, deu-se o naufrágio ante o espanto de todos. Mas depois perceberam-se as razões do desastre: as águas, quando muito paradas, não há velas que nos valham, é fatalmente a podridão do casco.

Mais a mais, o moliceiro ia cheio de gente no lugar do moliço; a multidão corroi sempre as entranhas da vida e a faina, a não ser feita por um só, não comporta mais do que uma ajuda a bordo dos nossos dias.

 

Por aí...

João-Afonso Machado, 30.10.19

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Quem sabe não fumei já este (como outros) charuto? 

Não gosto de charutos: são uma obrigação que havemos de cumprir se queremos conhecer o mundo - sonhar. 

É verdade: quanta droga não consumimos para alcançar a realidade mais profunda. Alucinantemente, viciosamente, num esgar de amargura e dor, mas acendendo-os sempre (os charutos) e indo.

 

Por aí...

João-Afonso Machado, 13.10.19

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Essa ritmada palavra - "pendular" - move o vaivém que nós somos. Que somos todos os dias de vidas afinal postas nos carris e sempre assustadas de deles fugir. Não é rotina, antes identidade.

Por isso mesmo, descarrilar é o fim do ser, o mal, felizmente raro, infelizmente risco permanente. A diferença gráfica deste mapa não é aritmética - antes se chama vontade.

  

Por aí...

João-Afonso Machado, 01.10.19

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Na vaga ensurdecedora das páginas da História, o silêncio da idade das pedras...

Pobres os escravos que o decifram. São os anos das pirâmides e da gente que acartou o peso do seu significado, sempre por descobrir. Homens sacrificados que nessa empreitada - a do saber - cedo morreram.

 

Por aí...

João-Afonso Machado, 11.05.19

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Quando terá sido a velha sentiu as peles a encarquilharem-se? Ainda a dona Cidade seria uma menina Vila, destinada a tia o resto dos seus dias. Vai daí...

O resultado, desta feita, saiu a preceito. O casamento não tardou e a menina Vila, peito de rola, faces rijas, olhos esverdeados, passeava-se triunfal na rua, pelo braço do marido, o senhor que manda nas coisas da Administração. Usava agora, finalmente, o seu apelido, era a dona Cidade.