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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Gente realmente importante

João-Afonso Machado, 22.12.10

Têm cara e não têm subterfúgios. Nem medo. São como são e assim se apresentam. Há muito procurava uma oportunidade de fotografar o Manuel do Laço, o mais furioso boavisteiro da galáxia e arredores.

Foi hoje. Infelizmente, na triste data das exéquias de Pôncio Monteiro, outra personalidade de peso na cidade (duriense de Covelinhas, Régua, um dia desceu o rio e deixou-se estar pelo Porto... e pela TV, onde o seu humor, o seu bairrismo, faziam razias, enquanto granjeavam o respeito dos seus opositores: Dias Ferreira não faltou à derradeira homenagem; e, da capital, outros mais, decerto).

Também Manuel do Laço compareceu. Esquecido da arqui-rivalidade entre os dois grandes clubes, o FCP e o Boavista.

Pedi-lhe autorização para o retrato. Era para que jornal?, inquiriu, já muito lidado com estas abordagens. Não, era para um blogue; para a Internet. Pois claro, estivesse à vontade; e ensaiou a pose.

No pino do calor, na mais cortante invernia, Manuel do Laço não tira o laço alvi-negro. Como os seus sapatos de sempre, o côco, o colete, um axadrezado inteiro, da cabeça aos pés.

Há nele agora, talvez, uma expressão triste, espelho do seu Boavista, campeão nacional presentemente vítima do infortúnio. Nada que faça perigar a sua fidelidade. A sua verticalidade. Está ali para lutar pelo que acredita e gosta, pela sua dama de sempre. Manuel do Laço não é um mandador de bocas, nem um treinador de bancada. É um militante do que a sua alma guarda.

Pertence à cidade. Despede-se de um estranho com um caloroso desejo de boas-festas...