Quando não havia sentido único...
... e os Chrysler Windsor circulavam nas ruas e estacionavam à vontade.
«Nessa época, só o melhor teria direito a Aurora. O mais galante, o mais poderoso, o sonho maior da artista, rodeando-se de luxo e atenções. Só valiam candidatos motorizados. (...).
Aurora gostou da primeira abordagem. Nas grandes capitais não lhe dispensariam mais cortesias, ponderava ela, com a cabeça povoada de dizeres dos viajantes. E se ultrapassada fora a época das carruagens, com a graça de Deus chegara enfim a dos automóveis, um rápido bater de portas e a potência dos motores voando para espaços inesqueciveis, ceias requintadas - e a solicitude dos empregados ajudando-a a esquecer os insultos dos empresários teatrais. Como quando a enxotavam do seu cantinho, ala que o pano já vai subindo...».
(de Aurora de Torres, in Contos do Tempo, ed. DG Edições, 2008)
