Contra-relógio ético
Não invoquemos Joaquim Agostinho. Mas faz de conta que acompanhamos um Tour importante. Uma competição regulada pela denominada Transparência Internacional (TI). A corrida é contra a corrupção, e Portugal participa, num cômputo de 178 países. Diria, atletas oriundos de quase todo o planeta. Pois bem: a prova não demora um mês apenas - prolonga-se por anos e anos.
Mais: o juri foi baptizado - Índice de Percepção de Corrupção (IPC). E vem medindo, pelo menos, desde 2000 para cá. Indiciando.
É por isso que, à data, apenas são apresentáveis os resultados de 2009, onde Portugal ocupa um "honroso" 35º lugar. Entre as soberanias mais corruptas, é claro. No exacto lugar a que estamos habituados no ciclismo. Num lugar calmo, continuado e continuando, da tabela. À moda do José Azevedo ou do Acácio Silva das bicicletas - ao menos meritórias bicicletas - não manchadas pelo doping. Isso é sabido. Como sabido é, certas são, as contas da TI. Avaliadas, na formulação do IPC, com base em "leis herméticas", num disfuncional aparelho de Justiça e na inépcia do combate contra a fraude.
É um caso em que podiamos ambicionar o 1000º lugar, por exemplo. Dar a vez à rapaziada que corre no tartan da macacada. Deixando as arábias ganhar.
Mas não. Vamos subindo a descer na escala dos países limpos. Estranha situação esta que o cidadão-republicano-candidato presidencial Manuel Alegre, a seu tempo, nos há de explicar. Em nome da sua - nossa?, nacional? - proclamadíssima Ética. Republicana. Sobretudo nesta última década do fatal século português.