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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Na Pocariça, onde os leitões têm asas

João-Afonso Machado, 28.07.13

Lembro perfeitamente esse casamento há 25 anos. Um dia de festa, um grande amigo e a que ele escolhera para sua Mulher - no correr do tempo, uma grande amiga também - e todos quantos foram distinguidos pela sua amizade e pelo seu convite.

Na Pocariça, Cantanhede, em plena Bairrada. Uma região cuja beleza reside, precisamente, nas suas gentes, no espírito folgazão e no apetite comilão dos bairradinos. Acresce a tudo a memória das perdizes e dos coelhos, das célebres aberturas da caça na Pocariça. Saudades, recordações preciosas a chamarem-nos a lugares de culto de uma idade que há muito já lá vai.

E ontem foi o dia de soprar as tais 25 velas desse casamento. Houve bródio. Até porque o casamento está uma instituição cada vez mais descartável e o próprio legislador se encarregou de o pôr a ridículo, criando mutações aberrantes e insultuosas. Um casamento de 25 anos é actualmente um feito venerável, admirável, uma autêntica relíquia. Em minha opinião, sempre reforçada, esses honrados casamentos merecem a homenagem nossa de não casarmos. Velemos contrictamente a sua imagem e deixemo-nos ficar pelo acordozinho verbal entre duas pessoas de boa fé e boas intenções, com eficácia meramente inter-partes. Não contribuamos, em suma, para a sua bandalheira e louvemo-lo em todas as bodas de prata para que formos convidados.

(Assim divagando, quase esquecia o porquê do título deste apontamento: nas almoçaradas da Pocariça, os leitões assados surgem do céu fulgurantemente, em estonteante velocidade; torna-se necessária uma imensa destreza, a pontaria infalível da garfada acertando o naco à passagem rasante da supersónica travessa. Desta vez, consegui pendurar cá dentro três magníficos e bem tostadinhos exemplares.)