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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Para se sentirem vivos apenas

João-Afonso Machado, 24.04.12

Contrariamente ao que afirmam de si mesmos, Soares e Alegre não são socialistas. Tão pouco democratas ou autocratas, devotos de qualquer corrente ideológica defenida e consistente.

Soares e Alegre são, e sempre foram, toda a vida, apenas políticos de carreira. Com os sintomáticos tiques que essa sua opção possa manifestar: a fortuna pessoal, a ausência de qualquer ocupação profissional alternativa, o exílio dourado, umas conferências e uns escritos, a abundância de viagens e as mais amplas benesses estatais. Ou o mais profundo desprezo por qualquer preocupação de coerência pessoal, bem acobertado por tonitroantes discuros apologéticos da Ética.

Assim viveram todas as décadas da sua já longa existência. Em nada acreditando verdadeiramente, sequer na vida para além da vida.

Esse o drama de Soares e Alegre. A sua finitude, a proximidade do derradeiro dia, o vácuo que se lhe seguirá. E por isso, aposentados embora, ainda recentemente castigados - de modo duro, indubitável - pelo eleitorado, continuam agarrados, de unhas e dentes, à ribalta política de onde, em boa verdade, há muito se encontram afastados.

É o medo da morte que os leva a proclamar, sob qualquer pretexto, como estão vivos e de saúde, eternos numa eternidade de palavras somente. Que lhe ocupa a mente e impede nela penetre e se instale a dolorosa consciência do fim.

Tal qual Saramago em vésperas da sua morte, invectivando o Deus em que não cria mas tanto gostaria de encontrar.

 

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