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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Como Marte

João-Afonso Machado, 01.11.20

PRAÇA S.TO ANTÓNIO.JPG

Lisboa colada ao televisor aterrada com os números. Ou mascarada, no imparável movimento das suas ruas. Numa multiplicidade de ruídos e bólides que parece o negro silêncio do cosmos. Cidade doente - de uma doença que Nosso Senhor lhe deu, como se escrevia antigamente, - já uma varíola em todo o corpo nacional.

Lisboa triste, preocupada, coartada. Sem sol e, assim, sem a sombra de cada um para carregar sozinha as suas apreensões.

Lisboa e a sua constelação de ruas, universo infindo, labirintico. Mas, de repente, uma praça e nela o Padroeiro, ao centro. Escoltado por prédios portentosos e perfilados. Em toda a amplitude de uma sala e o seu trono real.

Lisboa, povoada de naves e foguetões, afinal com um espaço de fuga aos formigueiros. Lisboa respirável o bastante para o óculo dos mareantes topar ao longe as lojinhas, a chalaça, meninas de apetite. Nas imediações do Padroeiro, por isso, as cores cruas da boa disposição, caras e expressões que se cruzam e cumprimentam todos os dias.

Lisboa, um planeta habitável e com vida...