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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

De Chaves a Faro (EN2) - VII

João-Afonso Machado, 03.07.20

Paragem em Mora para o almoço, com uma rápida ronda pela vila. Era feriado. Lá para o centro, um restaurante aberto, uma fila imensa à porta. Tudo o que desapetecia. Era o Afonso, um nome magnífico, cheio de realeza, e uma estrela Michelin na porta. Entreolhámo-nos, eu e a minha gentil "pendura", havia que dosear custos. Num breve inquérito, detectámos o estabelecimento do Sr. Hélder Granhão, mais abaixo, comida para o nosso bolso. E assim foi, numa esplanada, as pernas da frente das cadeiras no passeio, as de trás já na rua, a gozar a inclinação refastelados, mais um belo bacalhau à Brás. De vinho, uma caneca cheia de zurrapa branca da casa. Em tempo de guerra, não se limpam as espingardas...

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Fez até a sua aparição um velho portuguese pointer, um sobrevivente da crise Lehman Brothers, caçador de outros tempos, impávido ante a situação geral do País. Fosse na sua juventude, ia tudo corrido à dentada. E ali nos fizemos amigos e o abracei e fui correspondido. Com a sua bênção voltámos à estrada.

Corremos rectas como elas são - infinitas. Disso tomámos notas nas Alcáçovas.

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O calor arrasava. Determináramos ainda uma paragem em Aljustrel. As vilas alentejanas assumem, por vezes, a fisionomia de um vício.

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E de lá vim com imagens de moínhos de vento dos idos dos burricos enfarinhados, memórias da minha querida Mãe, museus, tumbas ao léu, máquinas ainda produtivas, sabe-se lá!... O alcatrão tomara conta de nós e Almodôvar era uma fixação.

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Entre andorinhas ainda a tirar o brevet e uma sede de concelho passada à espada, quero dizer, dizimada por vistas curtas, ensonadas, ficaram lugares do melhor manuelino. Pouco mais.

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Salvaguardando, é claro, os meus velhos amigos pintassilgos. Finalmente, a cama, o dormir, o nada.

O dia seguinte seria o último. E envolvia a travessia da serra do Caldeirão, um deserto ondulado, com pêlos de sobreiro e outros de rapar a direito, sem lavores de pedo-manicure. No caminho, uma surpresa em Vale de Maria Dias (estes nomes, estas paragens...).

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O antigo edifício da Junta Autónoma das Estradas e a sinalização das distâncias que faltavam percorrer. S. Brás de Alportel era já ali... Muito aliviado pelos seus jacarandás. E muito construído, muito à pressa, como se fosse já correndo para mergulhar nas ondas do mar... Estávamos no Algarve!

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O foguete acelerara ao máximo. Faro, por fim!!! E depois das tradicionais rotundas o marco que, verdadeiramente, assinalava a chegada. Era o mítico km 738.

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Tinha praça condigna, em seu redor. Tiradas as fotografias da praxe, fomos a umas sardinhas apaziguantes. Faltava outra tanta viagem - agora de sul para norte...