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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

De Chaves a Faro (EN2) - II

João-Afonso Machado, 16.06.20

A EN2 desata-se numa recta prolongada, a zona industrial de Chaves, com muitas moradias à mistura. Acho eu a fazerem despedidas, mais do que a dar as boas-vindas. Impressão minha, passageira... - Então estes malucos seguem para o fim do mundo? - Porque o Algarve será as vésperas do Bojador, lá onde Deus não é. Mas, por ora, o ambiente está ainda vivencial, respirável, e o Vidago, as Pedras Salgadas, tudo foi ficando para trás, sem direito a visita. O mesmo com Vila Pouca de Aguiar e a traidora Vila Real,  tangenciadas ambas, até Santa Marta de Penaguião, um breve pousio.

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Não se descobrem ali histórias empolgantes. Santa Marta de Penaguião somente vai vivendo, muito mamando da adega cooperativa. Mas não esquece o seu lugar no roteiro, aliás anunciado a amarelo em marco desmedido. Andamos no preâmbulo do Alto Douro vinhateiro. 

Depois o percurso é confuso e encaracolado. Eu prometera á minha "pendura" mostrar-lhe do mais bonito da Região. Assim passámos a Régua, olhando-a pela janela do carro e, por caminhos não mapeados, a levei a Covelinhas, terra de gloriosas tropelias nos meus 40 e poucos anitos. Quando a gente ainda trepa varandas...

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Ali pescava, noite fora, carpas das encorpadas, iscando com massa de cotovelo cozida. E quase acreditava em serpentes escondidas nos silvados que vinham a banhos no escuro. Somente topei uma vez uma lontra a banhar-se sob os meus pés de estátua...  Desta vez, azaradamente, o comboio do dia passou já connosco dentro do carro a manobrar para o regresso. Que opípara fotografia!, não fora assim...

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Mas a minha jovem "pendura" gostou das vistas, fartou-se de fotografar, até eu me ver na necessidade de invocar Cronos para subir ao santuário das vistas durienses - S. Leonardo da Galafura.

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O grande miradouro do rio, a essa hora já com as mais altas elevações afogando em sombra as inferiores. Nem sei por onde ela andou... De câmara em riste, calculo. Cá por mim, depois do retrato da praxe, dediquei-me aos muitos tentilhões do arvoredo, descendo amiúde ao solo.

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S. Leonardo me valeu - com alguma parcimónia, diga-se de passagem. E tarde se fazia. Pela estrada de Vila Real atravessámos a barragem de Bagauste e seguimos que nem uma seta para Lamego. A mais esplendorosa cidade duriense! - Vão lá vê-la, se não acreditam.

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Eram horas de comer, a fome matava. Entre três copos de tinto desses bandas, a roçar o licoroso, já não recordo em quantas fatias de bôla me perdi: de bacalhau, de frango, de carne ou de presunto... Um banquete! Finalmente a volta pela urbe - a imprescindível volta digestiva -  e o ingresso na amabilíssima Residencial nas cercanias da Sé. O almejado descanso! Porque amanhã a Reconquista só parará na Beira Baixa.