Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Ao fim da manhã, muito a norte

João-Afonso Machado, 13.06.20

IMG_2825.JPG

Junho abre as suas portas e enche de sol o comércio. Longe dos grandes infernos urbanos, Junho anima as gentes, solta as linguas, é claridade, esplanadas ressuscitadas, mas nunca o descalabro. O caos mora duas provincias depois. Nas manhãs de Junho ainda se negoceiam bois e uns porquitos; vai-se à cidade por qualquer alfaia agrícola. E também ao talho, à farmácia ou à mercearia. A fugir um pouco para a sombra, onde as palavras trocadas entre dois velhos conhecidos não têm de pôr as mãos em pala sobre os olhares.

Sai um cafezinho, saiem umas águas, o balcão ou a mesa cá fora suscitam irresistíveis vontades de almoços abundantes. Carregados e variados. Crescendo muito por cima dos cabos de enxada comprados nas ferragens e das pencas na hortaliceira, tudo à mão de semear o rio, a ponte, um roteiro jamais rotina. Entre os mais novos, estranhos e importados penteados da antiga América do povo iroquês - aí mesmo, nas guardas da ponte, de cu para jusante.

Só entardecendo sobrevirá o silêncio; e no dia seguinte igual labor na cidade distante, onde os iroqueses passam as horas discutindo belicismos sobre o rio e a idade mais gulosa, e mais prazenteira, sonha com enchidos e cozido à portuguesa e vai à loja por umas ceroulas quaisquer.