Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Luís Sepúlveda

João-Afonso Machado, 17.04.20

DO MONTE DE S.TA CATARINA.JPG

Devo dizer, quando das minhas estadias nas Astúrias, jamais pensei Luís Sepúlveda residisse em Gijon. Cidade onde fui recebido com magnificência e mesa farta, entre cidra sempre diante mim e os melhores enchidos da terra, afora petiscos diversos - um fartote. Fizeram-me orador, presentearam-me, frequentei o Teatro Jovellanos; e nele, olhando as senhoras em redor, senti-me viajar aos Anos 30 do último século - dos quais estive ausente, pelo menos nesta encarnação - tanto o baton, os descoroçoantes penteados, os tailleurs (é assim que se diz, não é?).

Gijon é uma cidade de inesquecível amizade. Por isso compreendo Luís Sepúlveda, pelos vistos ali radicado há décadas. Soubesse eu..., teria mexido os cordelinhos para um autógrafo... De um grande escritor, como todos os que nascem na América do Sul de Esquerda e saudoso dos Pinochets que lhes alimentavam a inspiração. Não interessa. A sua obra tem picos - e planaltos... - das melhores palavras conjugadas.

Morreu agora, no termo de dois meses de combate contra a nova doença, o Covid19.

A gente há de liquidá-la, por ele e por tantas centenas de milhar de vítimas. O vírus foi o Pinochet de Sepúlveda. Lutemos por isso. Entre esta verborreia toda, ocorre-me um conselho de alguém ao seu principal personagem no Diário de um Killer sentimental - «Não é que tenhas cometidos erros de mais: cometeste-os todos. Suponho que se deve ao cansaço, ao stress, ou lá como agora lhe chamam. É um aviso que te aconselha a reforma».

A transcrição é fidelíssima, incluindo o itálico. Sepúlveda é um clássico, portanto. O Tempo, nunca a seguraremos a não ser com a Eternidade. Chegou a vez de Luís Sepúlveda fazer essa prova.