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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Exigências do discurso

João-Afonso Machado, 07.04.20

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Foram-se os tempos dos grandes palácios: a grandiosidade implica vozes de salão, altas ou melífluas, sempre traiçoeiras. Absolutamente irrecomendáveis, esses discursos enrolados, onde não viceja e se desvia a verdade. E será - porque não afirmo hoje: é?... - em figuras poderosas da minha mitologia que a encontro, a dita verdade. Oiço-a do velho Barbadão surgido das pedras, musguento e esculpido em cãs venerandas, farta cabeleira. De dentro de si, para nós, lá na quina do lago, o bem supremo da água.

Não de uma água qualquer, tal a sua resistência, tal a sua toada. São séculos de uma vontade firme. Do fiozinho indestrutível e indesviável, coerente e cantado, um sinal único de fiabilidade.

São do Barbadão as palavras que me apraz ouvir. Pela sua continuidade, um alimento certo. Salpicadas no lago, as mesmas diariamente, a garantir-nos há sempre um amanhã depois de amanhã.

Em suma, pondo a finitude no seu devido lugar. Persistente, clarividente, tranquilizador, um amigo este nosso velho Barbadão...