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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

É o Molelos! É o Molelos!

João-Afonso Machado, 04.04.20

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A minha barba alvíssima estava já de meses, assaz incomodativa. E esta gentes das Beiras, agora modernaça, toda actual, - que desgosto! - entrou a mirar-me de través, desconfiada, com ares de quem me quer mal.

- É o Molelos! É o Molelos! - ouvia eu resmonear muito em ameaça.

Vivemos numa deputocracia, a Bíblia chama-se agora Constituição, e os apóstolos escrevem-na carregados de regalias, ganhando invejavelmente ao mês. Assim, em vista da minha inferioridade numérica, eu, tropa legitimista, decidi retirar - como tantas vezes aconteceu na Guerra Civil - sobre Amarante e depois Felgueiras, alcançando Guimarães. Onde tudo expliquei ao Tetravô, impávido mas de todo compreensivo, na sua farda de major dos Voluntários Realistas. Por fim em Famalicão, arranjei tesoura e lâminas de barbear - barbearias, nem uma: os seus oficiais partiram para combate, felizmente nas trincheiras de Cristo Nosso Senhor, enfrentando a Ruindade.  E tosquiei-me.

E contra a deputocracia baixei os braços. É deixar deputá-los, que deputem... enquanto nos mantemos monárquicos porque o azul é a cor do amanhã e o branco a da paz. El-Rei Nosso Senhor significará sempre que o futuro faz parte da História; um deputado, - que os nossos impostos continuarão a ser o futuro da sua historieta.

Por tudo, - e o Tetravô uma vez mais de acordo - o nosso abraço à Anarquia. Presidentes, só os da Câmara e se forem de qualidade - dos que cuidam da nossa saúde , enquanto o Estado até a dos médico e enfermeiros ignora.

Repetindo os - Morra a República! - estou outra vez por cá. A deixar crescer o bigode. Quem sabe El-Rei não visita de surpresa as suas tropas... Convirá então andar apresentavelmente.