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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Com alma e a bolsa resvés

João-Afonso Machado, 29.03.20

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Li em Uma beleza que nos pertence, do Cardeal Tolentino de Mendonça - «Mas a Fé quer-nos assim, o crente é assim: um peregrino com as mãos pobres e vazias e os olhos cheios».

Li, e recordei:

Essa noite chegados a Liverpool, a horas de ninguém senão dos bêbados, - que não digo empestassem as ruas, de onde transbordavam, dada a sua prontidão, o seu esforço em articular palavras a orientarem-nos no escuro, - essa primeira noite foi uma breve cerveja britânica e o quartinho barato do hotel, sem janelas nem luz natural.

Logo pela manhã a cidade corrida a pé, o rio Mersey, Albert's Dock, jardins e monumentos... Tanta a novidade, tanto o mundo e as gentes!

E tudo, afinal, como eu desenhara: a Fé está na inteligência e nos sentidos. A Fé não fica em casa mas vai, - consoante pode, vai, mais não seja em busca dos dizeres melhor construídos, das letras usadas com a propriedade de as fazer fortes e espelhos da realidade.

Liverpool foi um instante, antes do posterior imediato instante. Mas um instante carregado de imagens, uma outra visão do humano formigar, um passo em frente. Acreditar que todos esses passos nos soam na alma e nos despertam o coração, será essa sua transcendência a Fé, seguramente. Produto articulado de motes vividos.