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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Socorro!, apanhei um morcego

João-Afonso Machado, 28.07.19

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O gato - implacável na caça aos ratos - deu um sinal estranho, muito de volta do bicho, atarantado com o bater das asas na passadeira do corredor. Era quase meia-noite. Fui lá ver, o que seria?, o que o fazia temer? - nada mais senão um morcego ainda jovem.

Cagarola! O morcego esvoaçou quanto pode, saltitou corredor fora, o gato atrás, muito fedorento, e ele a entrar finalmente na casa-de-banho. Onde logo se refugiou nos interstícios da cobertura de madeira no chão.

Ora, sabe-se, os morcegos gostam de fazer ninho nas cabeleiras das senhoras. Era necessário agir. O levantamento do madeirame valeu-me 0,51 euros em moedas perdidas antes do banho. E ele lá estava, a esconder-se debaixo do lavatório.

Em boa verdade - que deve ficar absolutamente entre nós - foi com um copo de lavar os dentes que o apanhei. (Os nojos das pessoas repelem-me.) Depois, deitei-lhe a mão ao rabo, que as serras da sua boca já as conheço. Chiou como se o matassem, não mordeu porque não conseguiu. E dali saiu, aberta a janela da sala, para o mundo dele, escuro e ignoto como o das suas avós harpias e dos seus primos transilvanos. Feio, de esgar medonho, orelhudo e com mamilos. Já matei uns tantos, à raquetada ou com tiro de pressão-de-ar, quando pendurados no tecto da casa da lenha, de cabeça para baixo.

Enfim, este abraçou a noite, novamente. E eu, logo de manhã, corri ao posto e telegrafei ao pretor André Silva, expectante de saber, será desta vez a República me condecora?