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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Para lá da primeira vista

João-Afonso Machado, 24.07.19

EM JUL.2019.JPG

Gosto de terras assim populosas, particularmente dominicais. De adro da igreja pensativo, às voltas com a procissão prestes a sair, ou então coloquial, cerimonioso, todo salamaleques com as senhoras de sombrinha em punho à chegada às missas estivais.

Estas localidades, de tão agitadas na História, ganham sempre, mais tarde ou mais cedo, a alforria dos apertos, da chinfrineira actual. Tornam-se livres, donas do seu destino, os sinos das suas torres eclesiais voltam a ecoar nas serranias circundantes. Olhando-as no horizonte, sentindo-as a muralha de um castelo inexpugnável, as gentes daqui são felizes e assim se manifestam todos os dias, em abraços de quem regressou muitos anos após.

E domingo após domingo sobem as escadinhas da sua Matriz. Persignam-se depois de pousar os dedos na pia de água benta, rezam aos santinhos da sua devoção. E celebram assíduos Te Deum Laudamos. Ultimamente dando graças por continuarem alheias às loucuras climatéricas que abafam nós outros, simples mortais. Não, em tais paragens, como bem se vê, os cavalheiros mantém a cartola e a sobrecasaca, a bengala, o par de luvas de fina camurça, e ostentam nomes tão compridos como as saias das suas esposas. Neste exacto modo, aliás, se expressam.

Poderão alguns ler nestas palavras um casamento codificado. Erro crasso! Nem o que aí fica se lê - ouve-se. São os passos, os galanteios vagueando no Tempo, vindos já de muito antigamente, numa mão um simples lápis, um bilhete rabiscado a correr, qualquer nota romântica dirigida à filha do morgado que hoje não veio à missa, saiu cedo a correr os seus domínios.