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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

A lenda do Sem-pavor

João-Afonso Machado, 22.03.19

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Avizinhava-se o parto de Portugal. O feto crescia encabeçado no velho Minho, as pernas descendo Mondego abaixo.Todos foram chamados a auxiliar o feliz sucesso. Contam os anais, Geraldo, em Évora, deu o máximo da sua medicina.

Lembro-o da minha caderneta de cromos da nossa História. Com um pequeno elmo na cabeça, sem cota de malha, a veste de meia manga e o braço erguido com espada pequena a zurzir nos sarracenos. Tinha consigo um grupo de homens de armas e o desagrado de D. Afonso Henriques. Ao que parece porque, pelo caminho, ele e os seus apaniguados, matavam todos, incluindo cristãos. E estes, na altura, recomendava-se fossem poupados.

(Hoje não se pediria tanto a Geraldo Sem-pavor. Bastava que tomasse Borba - a Borba inteira - e a devolvesse aos de Queiroz.)

Sabedor do seu estatuto de fora-da-lei, ofereceu Évora ao Rei. De quem, assim, obteve o perdão das suas precipitações.

Geraldo, alvitram os historiadores, provinha deste Norte friorento de Castro Laboreiro.  Por isso combatia no Sul em mangas de camisa. Desconhece-se a sua progenitura, mas calcula-se o pai tivesse casado à sua vontade. Sua Magestade El-Rei agradou-se dele, parece o fez cavaleiro. 

É um eterno guardião, ainda agora. A maior praça de Évora tem o seu nome. Dizem os cronicões, antes serviu os velhos Menezes de Pousada, e o ensinou nas artes das armas  um inominado de barbas brancas, coevo e vassalo de Gonçalo Mendes da Maia, no Baixo Minho.

Como quer que seja, foi um grande guerreiro. Uma biografia a que todos devemos estar atentos.

Documentos recentemente descobertos demonstram, inegavelmente, Geraldo um profundo amador das damas. Muito achegado e galante. Se não ãntre o milho, já nos jardins dos paços que depois frequentou.