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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Os famosos quatro cavaleiros

João-Afonso Machado, 11.01.19

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Muitos se lembram da História as longas, arrastadas, lágrimas soltas do cimo daqueles paredões brancos por fora, tenebrosos por dentro. Lágrimas penduradas nos ferros das grades, humidade eterna... E das imensas páginas das vestes freiráticas, eficazes paraquedas aterrando nos fenos dos carros de bois cúmplices e velozes em fuga nas margens do rio.

O resto foi o destino de cada uma aventureira. Tudo assaz variante, como sucede sempre, se a espoleta são amores contrariados e logo se enclavinam vontades em guerra. Ou ainda: no caos, em derrocada total, oxalá os varais afiados dos carros de bois não viessem acrescer a tragédia.

Em suma, quando os sentimentos esganam as palavras e as palavras chicoteiam os sentimentos. Na iminência incontornável do pânico. Ou desse surdo pesar que, em qualquer noite de desespero, clamava por archotes e farta forragem, a apaziguar os pontiagudos varais, com freirinhas inconformadas, revoltas, disparando-se pelas janelas para as estrelas do seu íntimo. As grades dos conventos são isso: a asfixia, a impiedade, as saudades, a ausência, - o apocalipse da alma.