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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Do dia de S. Ex.cia, o galo

João-Afonso Machado, 06.01.19

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Em vão o topo das ruínas e o lavrar do rio sob a ponte. Ninguém acreditou. Mas o facto é que o sol se pôs e o galo cantou. Com alguma filosofia, houve quem dissesse a alvorada não tem horas fixas.

Para aqueles lados, de resto, a galo canta em qualquer esquina ou bicando a mais recôndita galinha nascida do barro. Assim como outrora à lendária mesa do juiz e hoje nas dos restaurantes, a crista encharcada em vinho verde.

Em tudo há um princípio. O condenado à forca, na eminência do breu mortal, foi salvo pelo cantar do galo. É justo agora o alvor da vida ocorra no ocaso solar, o momento pelo bicho escolhido para o seu cacarejo. O princípio, entenda-se, é o início, não uma regra. Justamente porque o acaso tem muita força e galo alguma autoridade. Com as palavras a servi-lo, jamais delas sendo servidor.