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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Vencedores de Cronos

João-Afonso Machado, 23.11.18

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Diz o livro, a civilização egípcia surgiu nos últimos tempos da Pré-História. Pasmoso, imaginar esse momento da passagem de testemunho. Ou até da coabitação da História com a Pré-História... - Onde vais? - Estou de viagem, vou ali à Pré-História comprar carne.

E deixando em casa, bem escondido, o segredo da escrita hieroglífica, o egípcio partia, África fora, se calhar regressando com um belo presente para a mulher, uma pele de leopardo caçado na Núbia.

As fronteiras seriam o acaso do encontro com algum grupo superior em número ou mais aguerrido. Que não fosse às compras, simplesmente andasse a sobreviver. A discussão entre ambos degeneraria sempre em mortes e escravatura, ou antropofagia por parte dos pré-históricos vencedores. O egípcio assim já não tornaria à História, acabava os seus dias na Pré-História, longe dos seus.

Foi, decerto, para evitar tais inconvenientes que os faraós inventaram a sua própria eternidade. Três milénios, trinta dinastias, é muito coisa. Proeza maior - a fé nos alimentos deixados à porta das suas necrópoles, como capazes de ainda hoje os sustentar. Os escribas estavam lá para contar o prodigio ao povo, o Tempo tinha parado, e centenas e centenas de gerações de egípcios nem se aperceberam a História havia, entretanto, conquistado o mundo. Somente os faraós sucediam-se uns aos outros, talvez para descanso de alguns e exercício escolar dos restantes.

Sapientíssima, a civilização egípcia. Como nenhuma outra conseguiu ser - capaz de fazer da alma a luz, dos corpos a pedra, das areias as imorredoiras pirâmides. Do vento, o mensageiro de si mesma.