Sem pressas, nós somos o destino

Acabava de sair para a vida mais um casamento. Sob chuva intensa e o pânico total dos penteados das senhoras. Mas o casamento veio à rua sem pressa, como manifestando toda a vontade de gozar o tempo imenso pela sua frente. Trazia um ar feliz e transportava-se numa vitória. À beleza da noiva acresciam acessórios destes. O cortejo pôs-se assim em marcha, ao ritmo matraqueado dos equídeos. Alguns acelerados ultrapassavam-no, rumo ao lugar da festa. Não havia porquê. A vida deve ser vivida devagar, mais devagar do que ela própria. Há uma máquina do tempo cronológico, que está, ou pode estar, - deveria estar - dentro de nós. No capítulo do ciência einsteiniana demonstra a sua modernidade; medicalmente expõe os limites ou excesso da velocidade vital. No mais, atenta contra o memorial, a nitidez, o inesquecível. Chova ou faça sol.
Porque, neste andar a passo, a gente selecciona. Separa o trigo do joio. Enfim, faz por nós próprios.