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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

"O Rali «Boas Férias»"

João-Afonso Machado, 27.07.17

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Há uns tantos anos surgiram os primeiros Audi com tracção às quatro rodas. Precisamente os Audi 4. E o então melhor rali do mundo, o de Portugal, engoliu o pó todo levantado por uma senhora francesa, ciclónica, vencedora, Michelle Mouton, de sua graça.

Impressionava ver a sua máquina, sobretudo nas classificativas em piso térreo. Depois dela, os outros carros iam passando, tropeçando e - talvez duas horas depois – muito a trote, solavancou um Honda Civic, evitando cuidadosamente os buracos cavados pelas águas das chuvas. Um meu amigo ensaiou uma corridinha a pé, a par com tal bólide, e, com toda a educação, pediu lume ao condutor para acender um cigarro. Que me lembre, este último não fumava…

Nada disto seria possível no recente Rali de Famalicão, a que assisti em parcela muito reduzida, no troço realizado entre Mouquim e Jesufrei. Um dos muitos que percorreram diversas freguesias do concelho.

À hora em que escrevo, ignoro quem foi o vencedor. Sei apenas, assisti a parte substancial da passagem dos concorrentes, alguns dos quais recordava de outras aventuras automobilísticas. Penso, essencialmente, em alguns clássicos insistindo em competir, cara a cara, com os mais modernos e acelerados modelos, como se os Anos 70 continuassem agora mesmo. Algo posicionado entre o revivalismo e o “velho” Monte Carlo, um lugar amplo capaz de a todos satisfazer.

Seja como for, tratou-se de uma novidade entre os milheirais, nesta altura já maiores que a gente. Também as vacas do estábulo defronte manifestaram o seu entusiasmo. Muito ouvido pelos circunstantes. Aliás, em bom número, pese embora não haja a certeza de as regras de segurança terem sido escrupulosamente cumpridas.

Mas foi um espectáculo condigno! Quem se desloca diariamente por esses caminhos municipais fora sente verdadeira dificuldade em entender como neles se pode andar tão depressa. Valeu a pena fotografar os participantes, mesmo de um local tão mal escolhido como aquele onde me estacionei.

E depois deste rali, de que faço votos haja mais edições, entramos num outro, mais livre, mais diversificado, a que chamo o das “Boas férias”.

São itinerários à escolha do freguês. Para uns, o mapa acaba já aqui; para outros irá mais longe – talvez mesmo extravasando fronteiras… Eu, este ano aposto no litoral. Nos complexos percursos da Região Centro, sem descurar uma descida ao Sul além Tejo. Porque não?

Dentro das potencialidades da máquina de cada concorrente, do seu conta-quilómetros de algibeira, da capacidade do seu depósito de combustível, a ideia é ir. Ir e descansar, alterar a rotina dos olhares. Sem pressas, sem cronómetro, sem vontade de ganhar mais do que um merecido repouso. O tempo – então em Agosto! – é um foguete. Cá estaremos em breve para trocar impressões sobre a prova. (E, para tantos, sob o desempenho do co-piloto). Até lá, - boas férias!!!

 

(Da rúbrica De Torna Viagem in Cidade Hoje de 27.JUL.2017)