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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Da eternidade dos livros e das mãos neles

João-Afonso Machado, 07.03.17

MINIATURAS DE G. CRESPO.JPG

O livro condiz com o título da obra que segurou o autor, Gonçalves Crespo, na História da literatura portuguesa - Miniaturas. Ofereceu-mo um dia um grande livreiro portuense, pela amizade que nos ligava e por a sua edição ter sido custeada pelo meu Bisavô e por Eduardo Burnay. No gloriosos tempos da inigualável Geração de 70.

Falo das tais horas rodeadas de estantes e conversa. As horas a que afluíam sempre os do costume, uns mais voltados para a etnografia, outros para a literatura, outros para a genealogia... Há sempre uma pesquisa no horizonte e um pretexto para ramificar o circunlóquio até ao seu fruto, e vir de lá com o sumo. No eco das imparáveis badaladas do relógio de pé alto, palavras sentadas no deambular da tarde.

Sobreveio a doença fatal do Amigo livreiro. Apenas direi, nem por isso deixarei de me maravilhar com as suas explicações: entre duas edições do mesmo tratado ficará a eternidade dos pormenores que ele conhecia diferentes, espantosos, bem encadernados. Os livros não morrem. Quem sabe lidá-los também não.

 

 

"Jurisindecências"

João-Afonso Machado, 05.03.17

FARTAR VILANAGEM.JPG

Trago na garganta um acórdão cravado

de espinhos administrativos,

 

trago o domingo encerrado para obras,

trago motivos vãos, trago provas

às sete da manhã acordado;

 

trago o espírito insano

e o Estado atrás de mim,

 

o furor republicano, a avidez do saque

(pilim, pilim, pilim) no que seria um dia de descanso,

um dia manso não sofresse o baque

verde-rubro, verde-roubo,

e ter de calar este pavor

 

de mastigar a legislação,

apunhalar o tributador no gume da prescrição.

 

 

O mesmo lado dos lugares de Agosto

João-Afonso Machado, 01.03.17

ONDA GRANDE.JPG

É exactamente ali, queiramos ou não, o ruído estival. Ao alcance do infinito dos segundos no ir e vir das ondas, a sujar e a limpar o areal. E a repetir os movimentos todos na perpetuidade das gerações, a uma não palpável distância das saudades.

Assim se vive cada instante. Envolto em espuma e águas pouco fiáveis. Os próximos serão os mesmos. Nietzsche - incógnito, é claro - deve ter passado por Vila do Conde e se agradado do seu clima. Ainda agora estará gozando a beatitude da esplanada do Mar à Vista.

Só nos resta aprender com ele. Eternamente retornando de bicicleta à amplidão dos lugares quietos, mas algo confusos, onde parece visionarmos o êxtase de Dioniso, muito chinfrim de tão folclorico.

 

 

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