Praia de Cortegaça

Viagens já ali num tempo longo, carregado até lá longe. Uma praia de um ano inteiro de bons repastos, pela primeira vez uma praia sob tempestade. Deserta, no areal e nas ruas, como convém ao ventar da memória.

Foi quase um choque. Pelo menos um travar a fundo no presente e em tantas alterações. Não sei mais falar de Cortegaça. Aliás, por muito que procurasse aquele casarão azul de olhos para o mar, não consegui descobri-lo. Havia um terreno amplo, forrado de chorões, com um baloiço para as crianças e um alvo de tiro de pressão-de-ar. E a marginal, um arruamento onde bastava circular. As construções amadeiradas parecem querer impor a marcha atrás mediante sinais de sentido único. Ficou criado o labirinto.
E deve ter sido isso que deitou fora os baloiços das crianças, sempre lineares nas suas manifestações.
