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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Camilo ainda mais próximo

João-Afonso Machado, 18.11.16

CAPA MOMENTOS REDIVIVOS.jpg

Foram meses de escrita sobre a escrita epistolar, ainda essa sempre bem escrita. Camilo, eterno sofredor, quer por curiosidade, quer pelo incómodo dos mosquitos letrados (ou nem isso..), quer da saúde, a sua e a dos seus. Não há alegria nas cartas de Camilo, mas surpreendem palavras próximas, tão amigas, de amigos seus, sobre serem com frequência vizinhos também. Camilo nas intermitências da solidão.

E, de repente, é já o sangue a falar, a aproximar-se querendo escrever distante, rigoroso. Quase em dilema, o exílio de Camilo tem parecenças, suscita solidariedade, acresce a saudade de quando a estupidez não era reinante. Há um grito imenso de revolta e Camilo triunfa, finalmente conhecido e compreendido.

Um mês antes da sua morte, clamando um desespero que é de justiça ouvir e sentir com ele, Camilo escreve a sua derradeira missiva desejando felicidades a um dos amigos. Decorre um século de bolor e sótão. Gosto de uma voz que se reergue sozinha, como se o sangue fosse o antigo sangue forte e sempre presente. Por isso as memórias redivivas e bem vincadas.