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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

E que tal se Passos se demitisse?

João-Afonso Machado, 07.03.15

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Decorreram mais uns dias e a lusa Política continua à varanda em já muito mastigada conversa de vizinhas. Agora porque Passos lesou dez milhões de portugueses em meia dúzia de milhares de euros não pagos à Segurança Social. Vão lá uns dez anos.

A Política vive disto. Felizmente a justiça é mais com os tribunais e, como dizia Maria José Morgado o outro dia, os juizes de instrução não são loucos: não é à toa que se prende preventivamente um ex-primeiro-ministro. Ou seja quem for.

Ainda assim, é preciso calar a Política. Ou, pelo menos, assustá-la, ameaçá-la com um processo disciplinar, obrigá-la a varrer as escadas todas em vez de ficar na intrigalhada. Para o que muito contribuiria o pedido de demissão que, pelos vistos, Passos não apresenta. Mas devia.

Devia, sobretudo, para calar os vizinhos da Esquerda. E para convencer os da Direita de que, não sendo embora um estadista - na verdade, cada vez mais se torna dispensável o Estado - não é também outra lapa do Poder e tem algumas noções basicas da sempre conveniente dignidade. Nos tempos que correm, um político digno é um achado - a preservar a todo o custo.

Seria uma enorme dor de cabeça para a Esquerda. Criar-se-ia ainda uma situação inédita, estúpida e disforme, sem dúvida. Mas talvez capaz de obrigar Sócrates a, definitivamente, não mais mandar papelinhos escritos pelo postigo da sua cela.