E que tal se Passos se demitisse?
Decorreram mais uns dias e a lusa Política continua à varanda em já muito mastigada conversa de vizinhas. Agora porque Passos lesou dez milhões de portugueses em meia dúzia de milhares de euros não pagos à Segurança Social. Vão lá uns dez anos.
A Política vive disto. Felizmente a justiça é mais com os tribunais e, como dizia Maria José Morgado o outro dia, os juizes de instrução não são loucos: não é à toa que se prende preventivamente um ex-primeiro-ministro. Ou seja quem for.
Ainda assim, é preciso calar a Política. Ou, pelo menos, assustá-la, ameaçá-la com um processo disciplinar, obrigá-la a varrer as escadas todas em vez de ficar na intrigalhada. Para o que muito contribuiria o pedido de demissão que, pelos vistos, Passos não apresenta. Mas devia.
Devia, sobretudo, para calar os vizinhos da Esquerda. E para convencer os da Direita de que, não sendo embora um estadista - na verdade, cada vez mais se torna dispensável o Estado - não é também outra lapa do Poder e tem algumas noções basicas da sempre conveniente dignidade. Nos tempos que correm, um político digno é um achado - a preservar a todo o custo.
Seria uma enorme dor de cabeça para a Esquerda. Criar-se-ia ainda uma situação inédita, estúpida e disforme, sem dúvida. Mas talvez capaz de obrigar Sócrates a, definitivamente, não mais mandar papelinhos escritos pelo postigo da sua cela.
