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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Romarias

João-Afonso Machado, 02.03.15

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Sempre foram de cariz retintamente popular, as romarias. Assim se querem - musicadas, dançadas e com muita vianda e mais vinho. Jamais com política. Por isso, quando o eleitoralismo tomou conta delas, no século XIX, em cima delas logo caiu toda a chamada Geração de 70. E, como nada acontecesse a contrariar a nova filoxera, foi-se a Monarquia e embatucou Portugal. Por toda a centúria seguinte e nesta também.

As romarias políticas, de facto, continuam. Agora chamadas "manifestações", "desagravos", "homenagens", "protestos", "sufrágios", "romagens" (será interessante analisar como se evolui da "romaria" para a "romagem"...), "concentrações"... Santos à parte, permanecem os heróis partidários.

Nada mudou. Por esta e por aquela há juntar das gentes (romarias/romagens). Foi assim que, mais recentemente, José Sócrates se hagiologizou. O prisioneiro nº 44 do Estabelecimento de Évora não estará decerto impedido de se deixar esquecer no recato de quem espera uma decisão judicial - a absolvição, com certeza! - ele que foi até hoje o único 1º Ministro detido e encarcerado (por decisão judicial). Mesmo as visitas que recebe podiam não se fazer anunciar - conquanto tal não fira o segredo de justiça... Não, Sócrates prefere o arraial. E a peregrinação, o autocarro e os farneis, um roteiro quase mariano. A confluência de massas, sonha ele...

Estas, porém, são escassas. Ontem, no Estabelecimento Prisional de Évora haveria mais polícias do que romeiros em vigilia. É bom sinal, como não pior sinal será tudo quanto se assemelhe, em se tratando de aventuras com um pé na política e outro nas façanhas negociais. Poderá até querer dizer que os portugueses se quedam pela clubite futebolística, alimento este para vários e redondos canais televisivos a (recomendável) custo muito baixo.

Enfim, para estar tudo quase bem só falta António Costa se entalar com a próxima governação ao colo. Depois disso, se os portugueses não aprenderem, bem podemos aderir ao dracma.