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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Nem na Varziela nem na Feira do Relógio

João-Afonso Machado, 26.02.15

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«Em Portugal os amigos são para as ocasiões e numa ocasião difícil em que muitos não acreditaram que o país tinha condições para enfrentar a crise, a verdade é que os investidores chineses disseram "presente", vieram, e deram um grande contributo para que Portugal pudesse estar na situação em que está hoje, bastante diferente daquela em que estava há quatro anos».

(António Costa, na Póvoa de Varzim, depois de antes da crise).

«Fico perplexo que pensem que a oposição ao governo me impede de defender o país».

(António Costa, tentando fazer ouvir-se antes de depois dos efeitos óbvios das sobreditas palavras).

Há baralhações letais. Portugal é quase tudo menos a Varziela (Árvore - Vila do Conde), onde já pontifica a Mafia chinesa, e o Intendente, onde parece que só se vendem telemóveis de primeira água. E um ou outro local mais, de sorrisinhos desentendidos e negócios venezuelanos. Fica o insulto aos portugueses, mesmo àqueles que não sabendo ler, sabem perceber. E uma conclusão lógica: Costa mentiu - aos seus concidadãos ou aos chineses que o escutavam.

 

 

 

 

 

"Ecos do Carnaval"

João-Afonso Machado, 26.02.15

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Talvez o Carnaval da nossa infância se comprasse menos nas lojas. Julgo nascesse de buscas imaginosas ao fundo das arcas, onde se guardavam atavios avoengos, e o improviso fosse o lado mais divertido daqueles dias de tolice institucionalizada. De uma certa permissividade, até, que tornava a brincadeira assaz mais convidativa. É certo, o Eduardo com a sua espingarda de cano de lata, e um dardo de pau lá dentro, terá sido o único índio que a História regista, de longa cabeleira loiríssima e entrançada. Mas fartava-se de fazer uh-uh-uh com a palma da mão a bater na boca e saltaricava a tarde inteira, bem ao jeito de qualquer guerreiro apache que se preze. E, no resto, os estereótipos eram poucos. Da velha saia da bisavó – com todo o respeito pela defunta – surgia do quase nada uma inquietante bruxinha montada na sua vassoura.

Era o Entrudo. Máscaras de papelão e roupagem de serapilheira para tantos. Agora já não é.

Agora o Carnaval abrasileirou. De Ovar a Torres Vedras bamboleia-se, saracoteia a celulite ao frio – o Carnaval português esqueceu que não está no hemisfério sul – criou escolas de samba e regurgita de foliões resignados à folia, quando não à pneumonia. Naquela triste obrigação de se divertirem ou, ao menos, parecerem divertidos. Nos sambódromos, imaginem! Enfim, ganham os proprietários dos cafés, restaurantes, roullotes de comes e bebes e adegas próximas. É um negócio como outro qualquer.

Tudo a aconselhar, aqui no hemisfério norte, uma bela noite televisiva e o privilégio aceso da lareira, para quem a tiver.

Eis senão quando (as histórias antigas intermediavam ou rematavam assim) – eis senão quando o Carnaval famalicense soube nascer, crescer e enrijecer de forma completamente diferente. Sem importações de qualidade duvidosa.

Dá para visionar a sensaboria de uns tantos carros alegóricos Fevereiro fora na Adriano Pinto Basto e depois na Santo António, naqueles apertos da Praça 9 de Abril, na Avenida… Que nada! O Carnaval famalicense disfarça-se e irrompe a pé da periferia para o centro, em bandinhos, de improviso, ninguém esperando por alguém, guiado pelos rumores distantes da música, crescendo, crescendo, crescendo, de participação e movimentação. Juraria: sinceramente bem-disposto e gozão.

É certo, falo à vontade porque não resido lá no coração do Carnaval. Talvez isso seja pedir-me em demasia… O vento uiva, as bátegas da chuva doem. Não, uma pequena voltinha na vila (leia-se: “no centro”) quando a festa começa a animar é o suficiente. O resto é com a parte sobrante dos famalicenses mais os forasteiros. Mas que é um Carnaval genuíno, isso é!

 

(Da rúbrica De Torna Viagem, in Cidade Hoje de 26.FEV.2015)