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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Gente realmente importante

João-Afonso Machado, 13.02.15

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Começou na lide pelos nove anos e andou nela uns setenta. Chamava-se Suzana Ribeiro da Costa mas toda a Póvoa de Varzim a tratava por Suzana Peixeira. Esse era o seu ofício.

Não escrevo sobre quem tenha conhecido. Com muita pena o digo. Escrevo sobre um símbolo poveiro, um eco que se apaga do tempo dos pregões e das canastras à cabeça. De outros modos de vida, carregados de madrugadas e maresia, do nevoeiro onde se ouviam tantos desgostos e emergia muita coragem. Talvez a Póvoa acordasse pelo seu cantar vinda da lota, trazendo o peixe fresco à vila de antigamente.

Assim a Suzana Peixeira se transformou num mito, a mulher «robusta e empreendedora» a inspirar o monumento inaugurado em 1997, junto à enseada do porto de pesca.

Descendia realmente de pescadores, decerto não lhe corria nas veias outro sangue.Neste mundo em que talvez sentisse cada vez menos serventia, gostava sobretudo de acordar as suas memórias. Coisas que enriquece ouvir. Por isso todos ficaram mais pobres, sempre mais atarantados no trânsito da Póvoa, perdidos na multidão imensa dos seus dias. A Suzana Peixeira, nascida em 1921, morreu ontem, com 93 anos, num lar da Santa Casa da Misericórdia.