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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

A liberdade de expressão e o direito à caricatura

João-Afonso Machado, 16.01.15

Uma semana depois, os assassinatos de Paris revelam sintomas de um futuro nada animador. O mundo ocidental "acordou" para o perigo islamita e, por toda a parte, as forças de segurança vão desmontando in extremis outros atentados congéneres. Ocorrem os funerais das vítimas e os caixões seguem o seu derradeiro percurso ornamentados a caricaturas. E as vítimas já foram elevadas à condição de mártires de um culto imprevisto - o da liberdade de expressão. Algo por que elas não morreram. E algo assim aparentemente sobreposto ao respeito devido à vida e ao ser humano.

Do ponto de vista jurídico, é um monumental biqueiro pregado no Direito Natural pela bota militante do positivismo. A sacralização da caneta, o arrumar dos valores pessoais na sacristia. Em razão de tudo isto, o Charlie Hebdo há-de ser o mais famoso caderno do planeta, a cujas bancas vai chegando em vagas compactas. Agora com capas e conteúdos de manifesta e intencional provocação, capazes de indignar o mais pacato dos fieis de Alá.

A guerra prossegue, pois, mas em nome da liberdade gráfica. O que nada tem a ver com a livre utilização da caneta.

Entretanto, o Estado Islâmico, sabia-se já, vive alimentando o fanatismo e o terror. Assim prosseguirá. Sobra, neste ponto, matéria para outros comentários, a seu tempo. Enquanto as caricaturas se multiplicam - desenhando a rigor a actualidade... - e se torna mais visivel a ponderação e o lugar na História Universal já garantido ao Papa Francisco.