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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Embrulhem-nos em pele de porco

João-Afonso Machado, 12.01.15

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Foi uma multidão de quase quatro milhões trazendo para a rua o seu medo. Um medo legítimo e compreensível e capitaneado por tantos dirigentes mundiais. A multidão buscou o lugar onde mais estaria protegida - nela mesmo. No espaço e no tempo em que qualquer atentado seria completamente improvável, inconcebível. Fora de todos os ditames da guerra.

Porque a blitzkrieg é um conceito do passado. Isso já todos perceberam. O invasor optou pelos ataques inesperados, compassados, mortíferos em média escala, desmoralizadores. Nunca sobre a multidão, para não esgotar argumentos, antes contra símbolos e meros ajuntamentos de gente. Vejam-se os atentados de Nova Iorque, Madrid, Londres e (agora) Paris.

A questão fundamental reside em como reagir - ou como negociar - com fanáticos que declaradamente renegam a própria sobrevivência e se oferecem à morte. Sabida que é a dificuldade de os impedir de levar avante os seus intentos assassinos, eliminando-os de pronto.

Vão lá muitos anos, na época de outras leituras, as aventuras de Tanguy & Laverdure (em O Alferes Bang Bang) chegavam ao Médio Oriente, onde o tirano Monktar - recordo bem - se apercebe de que um capturado, fidelíssimo do reinante deposto, prefere morrer a revelar dados importantes quando interrogado e supliciado. A solução - diabólica, mas eficaz -  consistiu em comunicar-lhe o enterramento envolto em pele de porco após o seu decesso. Horrorizado, conforme a sua visão islamita do Inferno, ele falou tudo...

Talvez a fantasia de Charlie tenha bases reais. E, onde não intimidam o circo e os leões, só pode convencer o medo da abjuração. Em sede de negociações pela vida dos reféns, claro.