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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Professorais e insurrectos

João-Afonso Machado, 22.07.14

Esta bulha, ora mesmo passada no noticiário televisivo à porta da Escola Secundária Rodrigues de Freitas (o Liceu D. Manuel, para os da velha guarda), de repente pareceu algum episódio invocativo dos tempos abrilinos em que a rapaziada trocava umas estaladas por causa da política. E fazia greves, boicotes, chiqueiral e não estudava. Mas não, não era indisciplina dos alunos, era dos professores.

Obviamente, andou ali mãozinha de sindicalista. O Big Boss, aliás, fez a sua aparição ante as câmaras, mas em Viseu, cidade onde escolheu dirigir o aparato das tropas. Tudo por causa dos exames a que estão obrigados os "mestres" contratados e contrariados por essoutra obrigação que os colegas discordantes lhes querem impor - a de não comparecerem aos ditos exames.

E assim os profs. aprenderam com a rapaziada - supostamente aprendiz... - a troar tachos e panelas nos corredores, a empurrar os contínuos (hoje, decerto, com título muito mais sofisticado, a compensar a maçada de aturar por acréscimo os docentes insurrectos), a provocar os agentes da polícia, etc, etc.

A grande vantagem de sermos mais velhos, e tão longe irem os tempos estudantis, é justamente a certeza que hoje falha por todo o lado - a de que os reguilas eramos nós, não quem supostamente tinha algo para nos ensinar.  Valha-nos isso...

 

 

Memórias vilacondenses (XVI)

João-Afonso Machado, 22.07.14

O paredão debruçava-se sobre a praia como um posto de vigia onde os senhores mantinham prolongadas conversas de só eles, a calça branca, o sapato também, com mais uns atavios azuis, e um cigarro entre os dedos, um depois do outro a manhã inteira. A rampa era o estacionamento das bicicletas, e o seu furto algo de perfeitamente inimaginável. Atrás das barracas acolhiam-se os mais friorentos, depois do banho, rilhando um pão com manteiga trazido de casa. Ante o mar, colónias de banhistas sentados como pinguins e os toldos, perfilados ao jeito militar, de norte para sul em sentido geracional descendente.

Estamos todos lá...

A paz impera absolutamente, talvez com o vago perturbar de um gritinho vindo da barraquinha dos gelados, na areia fria da sombra do paredão, alguém acabou de ganhar um Olá!-prémio. A maré vai meia, a subir, e o Rodrigo nada rumo ao seu penedo. Do maior, onde as ondas batem, o Baltazar, lá no cimo, apita um aviso, apita outro, já repreendedor. A praia assiste, a praia joga vólei, a praia desenha pistas imensas de corridas de sameiras ou joga o prego. Enquanto a Sra. Ana não surge no horizonte. E dorme tranquila, sem pesadelos nem arranha-céus à vista.

Até que o Tempo foi comendo o Espaço e Vila do Conde há muito definha.