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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Política à portuguesa

João-Afonso Machado, 15.06.14

J:\IMAGENS\MINHO\GUIMARÃES\MANIF. 5.OUT\MANIF. SI

A entrevista de Alberto Martins, hoje no i, poderia ser entendida como uma certidão de óbito ideológico passada ao Partido Socialista. Só não assim é porque o entrevistado não estaria, decerto, pensando no desemprego de um contigente de imprecisáveis dezenas de milhar de políticos. Daí a sua indecifrabilidade, pelo menos para os leigos.

Alberto Martins proclama a sua fidelidade a Seguro; faz um acto de contrição e reconhece as perniciosas ligações dos socialistas ao mundo dos negócios e da alta finança; eleva a sua voz e retoma a defesa da solidariedade contra o "terror" liberal; pede tempo para uma reflexão do seu partido em especial, e dos seus congéneres europeus em geral; e sustenta uma candidatura eleitoral do PS onde as alianças possíveis sejam apenas à esquerda.

Como é evidente, não consegue responder de forma directa a qualquer pergunta do entrevistador.

De tudo resultam, por isso, algumas incógnitas: como, por exemplo - de que meios se servirá o PS para deixar de ser o que sempre foi, uma agremiação maçónica com uma mão no megafone (voltada para o povo) e a outra no telemóvel (ocupada na intriga)?; e quantas gerações de comunistas ortodoxos terão ainda de surgir - honra lhes seja feita -  para que o seu discurso seja moldável ao das jantaradas no Nobre?

Porque nos tempos próximos, a equação politico-eleitoral proposta por Alberto Martins não seria pacificada nem por Ghandi. Quanto mais por António Costa...

 

(Nota - Supra o registo de uma manifestação de Outubro de 2010)

 

 

"Outro livro quase aí"

João-Afonso Machado, 15.06.14

Escrevi-o para a Família e para Famalicão também. Porque versa a História de ambas, que a ambas pertence a Casa de Pindela. Demorou alguns anos intermediados de trabalho diferente e do aturado estudo de documentos antigos, alguns deles rondando os cinco séculos de infernal caligrafia. Um verdadeiro desafio à paciência, liberto depois no prazer da escrita bem sustentada no rigor dos factos e no – para mim – excelente paladar dos temas. Agora está pronto, o livro, baptizado de Momentos do meu Sangue. Disso mesmo se trata: de episódios diversos, todos eles acontecidos na Casa de que sou, com gente de quem provenho. De quem, afinal, recebi os traços, a fisionomia corporal e espiritual, para o bem e para o mal a minha, não outra.

Tem de tudo os meus Momentos: pinceladas largas colorindo o modus vivendi de Quinhentos, quando Pindela possuía já paredes robustas e respeitadas na região minhota; a invocação de quantos dela partiram e se perderam por África e pelas Índias, nesses recuados tempos em que as pessoas aceitavam resignadamente a total ausência de notícias, o fim dos seus familiares sem causas conhecidas nem explicações prestadas; a feroz realidade dos crimes, dos assassinatos, das mortes precoces e dos terríveis ditames judiciais… Mas também, em épocas mais chegadas, o berço de tradições ainda vivas, como o Senhor dos Aflitos, em S. Tiago da Cruz, e outra vez o horror da guerra civil, a fidelidade de vidas ao serviço de causas. Num outro registo, a honra e o gosto transmitido pela amizade com celebridades do mundo das Letras – Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, João Penha – a valia resultante da divulgação de escritos inéditos de tais personagens. Ou o picaresco lance das entusiasmadas perspectivas de Pindela receber e acolher El-Rei D. Carlos… que, afinal, não veio!

Falta só a menção (em parágrafo exclusivo para ele) à biografia do meu Avô, um combatente de sempre pela bandeira monárquica, na imensa eternidade contida na sua curta passagem por esta vida. A modo de quem, com muito carinho, lhe presta homenagem e ainda agora (o Avô era muito mais novo do que eu quando sucumbiu à doença) intenta seguir-lhe as pisadas.

Não há muito mais a acrescentar neste – porventura abusivo – exercício de publicidade em proveito próprio. Famalicão colaborou na feitura do livro e os agradecimentos devidos não são, obviamente, esquecidos no lugar que lhes compete. O Dr. Artur Sá da Costa amavelmente aceitou o meu pedido para a apresentação. Diz quem leu o original – vale a pena. Oxalá!

A apresentação dos meus Momentos, cá na terra, está marcada para o dia 19 deste Junho, pelas 18 horas, na Casa das Artes. Era do meu maior gosto os amigos, os leitores, comparecessem em grande número, todos eles, quem sabe?...

 

(Da rúbrica De Torna Viagem in Cidade Hoje de 12.JUN.2014).