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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Limitado...

João-Afonso Machado, 14.06.14

 Não era um par de meias ou uns quantos botões que buscava. Apenas um retrato daquele bocado de silêncio do lado de lá do balcão centenário. Onde a caixa registadora, as prateleiras muito arrumadinhas, eram um convite, e o idoso, de gravata, pull-over e casaco de fazenda parecia indiferente à presente vaga de calor e ao frio glacial destes tempos aparentemente sem amanhã. A falar ainda em contos de reis e no famigerado IVA, nos pagamentos por conta que lhe caboucam o negócio e a cabeça. - Uma roubalheira, eles não nos governam, governam-se. - Pois é, não tenha dúvida! E a conversa prosseguiu largos minutos adiante na mais antiga casa comercial da Guarda. O estacionamento, os automóveis parados em frente do edifício, impedindo uma fotografia condigna do exterior? - Uma vergonha, os polícias andam por aí, mas só com olhos para as turistas...

É claro, o estabelecimento tem créditos firmados, já não sei quê Ferreira & Scrs, Lda., não há quem não conheça e avalize. Mas o mundo, ainda assim, parece girar todo ao contrário. As evidências fotográficas dos desmandos e abusos dos proprietários de carros, mesmo à sua porta remontam, algumas, à década de 70 do século passado. Nada mudou, em absoluta indiferença a tantos alertas, para onde descaminha o comércio na cidade?

Freneticamente, ia e vinha ao longo do balcão. Com incomum energia. E revolta acumulada, deixando claro não haver particulares queixas contra esta ou aquela agremiação política. A culpa - a manifesta culpa - era do Regime no seu todo. Da muita indiferença acumulada desde já antes dos sucessores do percursor não sei quê Ferreira. Limitado...