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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Reprivatizem as abstenções

João-Afonso Machado, 27.05.14

A Esquerda, como será sempre de esperar, não perdeu a oportunidade de mais um 11 de Março em directo televisivo na noite das Europeias. A Esquerda vai de Sócrates até aquele lado onde está o meu e o teu, para ela sempre nosso. E por isso nacionaliza, um modo elegante de dizer usurpa. Desta vez, a abstenção e o novo record alcançado pelos absentistas.

A Esquerda, desaforadamente (a Esquerda toda, abespinhada e histérica), abriu os braços, açambarcou dois terços do eleitorado português que, sem pejo, manifestou não querer saber nem da Esquerda nem da Direita, e proclamou: são como nós, são dos nossos, somos todos a derrotar a Direita.

E por aí fora, parecendo ignorar que a abstenção é abstenção exactamente porque não quis ser Esquerda. E, certamente, nacionalizada, tornada património socialista contra a Direita, de quem é provável nada queira também.

Ou talvez não: conheço uma certa pessoa que, sendo de Direita, se absteve. Por curtas razões, em suma: porque a UE pouco lhe diz e porque voltou as costas a uma eleição onde o sumo estava esprimido à partida e o mais foram caroços cuspidos contra e a favor do Governo. Para quê votar? - interrogava-se o personagem, o qual, reitero, conheço bem - por ser eu próprio.

Eu, JAM, independente impenitente, algo anarquico, porventura, mas claramente e sempre - de Direita. E assim clamando reprivatizem as abstenções.

 

 

O Hotel Garantia

João-Afonso Machado, 27.05.14

«(...) Não se trata de uma construção com a imponência dos grandes palaces. No entanto, o seu perfil, elegante e ágil, quadra bem com a fronteira CGD, com o afável ambiente da "Esquina" Os comentadores da época inserem-no no "estilo regional", sustentando que o seu "interior é do mais luxuoso que há no Norte".

(...) Em um ano as obras estavam findas. O concelho em peso, e arredores, anseia pela sua inauguração, aprazada para 19 de Janeiro de 1943. Cerimónia e solenidade, como Famalicão já não recordava desde a visita da Senhora D. Maria II, a Rainha de Portugal. Os cavalheiros trajam casaca, muito engomados e enfeitados de brilhantina, e as madames vestidos de baile e toda a sua riqueza em jóias (...).

Um baile hollywodesco ajudou a esmoer o monumental repasto. Houve ainda uma ceia e baile, novamente, baile pela madrugada fora até às sete da manhã. Dançou-se no Garantia até ser dia!».

 

(in Famalicão Uma Vila que se Inova, da Biblioteca Oito Séculos, Edições Quasi, 2006)